Sim, sou livre, mas a liberdade não me exime do amor, o mais tirano dos sentimentos.
Sim, sou louco, mas a loucura nunca foi um pretexto para eu fugir às minhas responsabilidades.
Sim, sou cético, mas o ceticismo não me absteve de acreditar que esta vida não pode ser reduzida aos desejos mundanos.
Sim, sou culto, mas foi por causa desta cultura que vivi uma vida inteira de erros e desvios.
Sim, sou bondoso, mas a bondade não me protegeu de minhas próprias violências.
Se compreendi o sentido da vida? Não sei. Mas sei que depois de tanto buscar por sentido, rasguei as notas de minhas certezas, pichei os muros dos meus bloqueios, gritei na imensidão vazia do meu interior e voei, porque ninguém precisa de asas quando a paixão nos lança às nuvens...