Carochas!
Cativos nesta armadura
gangrenosa.
Sentenciados a morrer de
alegria, à procura do inalcançável.
Padecedores de amores reais
e sonhadores de amores possíveis.
Arruinados em meio à
abundância das dores pulsantes.
Despidos de vida e vestidos
de morte.
Moribundos em face da
filosofia, chaga irremediável, mãe solo, tão banal quanto impossível.
Porcos!
Impressionados ante as
profundas cavidades na alma dos seres.
Asquerosos em face de
desejos que suprimem desejos.
Retalhadores de verdades e
trituradores do que resta do ato primordial.
Feridas como paços.
Vidas acres.
Tormentas alucinatórias.
Gritos de angústia em
vazios internos.
Alcatrazes!
Buscadores naufragados em
suas próprias inquietações.
Sádicos travestidos de
propósito.
Entidades imbuídas de
dolo.
Carcomedores de
afeto.
Vilipendiadores dos ânimos
aquietados.
Carniceiros!
Narcisos em pele de
Virgílio.
Judas em Jó.
Semeadores de morbo.
Sombras impiedosas.
Estertores do medo.
Hostis
militantes de auguras nefastas, nascidos da ânsia do pensar e cônscios do ser,
com intenções do não ser, deixai-nos na infinita paz da ignorância, na mais
perfeita materialidade da vida vil.
Amém!