domingo, 18 de maio de 2025

Ladainha de todos os antros

Carochas!

Cativos nesta armadura gangrenosa. 

Sentenciados a morrer de alegria, à procura do inalcançável. 

Padecedores de amores reais e sonhadores de amores possíveis. 

Arruinados em meio à abundância das dores pulsantes. 

Despidos de vida e vestidos de morte. 

Moribundos em face da filosofia, chaga irremediável, mãe solo, tão banal quanto impossível. 

 

Porcos! 

Impressionados ante as profundas cavidades na alma dos seres. 

Asquerosos em face de desejos que suprimem desejos. 

Retalhadores de verdades e trituradores do que resta do ato primordial. 

Feridas como paços. 

Vidas acres. 

Tormentas alucinatórias.

Gritos de angústia em vazios internos. 

 

Alcatrazes!

Buscadores naufragados em suas próprias inquietações. 

Sádicos travestidos de propósito. 

Entidades imbuídas de dolo. 

Carcomedores de afeto. 

Vilipendiadores dos ânimos aquietados. 

 

Carniceiros!

Narcisos em pele de Virgílio. 

Judas em Jó. 

Semeadores de morbo. 

Sombras impiedosas. 

Estertores do medo.

 

Hostis militantes de auguras nefastas, nascidos da ânsia do pensar e cônscios do ser, com intenções do não ser, deixai-nos na infinita paz da ignorância, na mais perfeita materialidade da vida vil.

Amém!







Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poste aqui seu comentário.