No opaco espelho das escolhas que não pudemos realizar, escorrem sangue e melancolia.
Entremeadas de medo, as curvas dos caminhos que nos distanciam de casa se acentuam em ângulos ilusórios: pormenores de uma luminosidade intermitente em suspiros de angústia pelas palavras que não conseguimos proferir, ainda que um grito de auto-determinação fosse premente.
Entremeadas de medo, as curvas dos caminhos que nos distanciam de casa se acentuam em ângulos ilusórios: pormenores de uma luminosidade intermitente em suspiros de angústia pelas palavras que não conseguimos proferir, ainda que um grito de auto-determinação fosse premente.
Se até agora ouvimos os cães da rua ladrarem em nossa memória de afetos, é porque estivemos vagando por madrugadas inteiras com medo do amanhecer. Mas ele veio. E quando ele chegou, o sono não nos abraçou. Na vigília sangramos ainda mais.
Com o tempo, compreendemos que a melhor história é aquela sobrescrita nas páginas de nosso prefácio para ser rasgada depois. E em não havendo perdão para os que se recusam a viver o que lhes coube, a pena é viver novamente a mesma vida até que a forja do tempo se arrefeça no vazio cósmico.
Não há o que fazer quando nada se faz. Porque o não-fazer é também um desfazer-se. Quando se descobre que a consciência é um tipo especial de suicídio, somos arrebatados pela atroz verdade de que há muito já morremos. E quando, de volta ao espelho de nossas análises mais genuínas, não conseguirmos mais nos reconhecer diante da opacidade dos medos que nos imobilizaram, pronunciaremos as palavras mais dolorosas: "Que pena!".
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